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UFRJ abre as portas para intérpretes de Libras/português
A Comunidade Surda tem um bom motivo para comemorar! Há alguns anos a professora Surda Myrna Salerno Monteiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, vem lutando para ser respeitada em sua diferença e assegurar o direito, agora previsto em lei, de ter intérprete da Língua Brasileira de Sinais - Libras para si mesma e para os demais surdos dessa instituição.
Em 1986, a professora começou a se interessar por pesquisas e estudos lingüísticos realizados pela Comissão Paulista de Defesa dos Direitos dos Surdos (Copadis) em prol da Comunidade Surda Paulista e, com o apoio da professora doutora Lucinda Ferreira de Brito decidiu se aprofundar neste campo. Em 1997, participou do primeiro Concurso Federal no Brasil, que oferecia vaga para docente Surdo, realizado pela UFRJ. Hoje é professora auxiliar IV e, além de atuar como pesquisadora, ministra aula nas disciplinas optativas "Estrutura da Língua Brasileira de Sinais I, II, III e IV".
A história pelos direitos dos Surdos está estreitamente ligada à UFRJ que, há alguns anos, vem demonstrando preocupação com a integração desses indivíduos à sociedade através de alguns professores da Universidade. Neste sentido, vale ressaltar a pesquisa da professora Lucinda Ferreira Brito, pioneira na Educação Bilíngüe no Brasil e responsável pelos primeiros trabalhos desenvolvidos sobre este tema no país, e sua participação na luta pela realização do II Congresso Latino Americano, sediado no Rio de Janeiro, sob responsabilidade direta de professores da UFRJ. No evento, foram realizadas pela primeira vez, discussões que abordaram profundamente a questão do Bilingüismo no Brasil. Na época, houve a realização de dois cursos pré-congresso, realizados na UFRJ, com duração de três semanas e com a participação de Surdos e ouvintes de outros estados brasileiros. Um dos cursos foi direcionado aos Intérpretes de Libras e ministrado pela professora americana Cherry Smith. O outro objetivava a capacitação dos Instrutores de Libras e foi ministrado pelo professor americano Ken Mikos. Todos os preparativos referentes ao Congresso foram financiados pelo CNPq, CAPES, FUJB e patrocinadores.
Entretanto, a luta pela causa do Surdo continua. Recentemente, a professora Myrna Salerno participou, em Brasília, de todo o processo que culminou com a elaboração de um Decreto que regulamenta a Lei 10.432/02. O Decreto de Lei 5.626 de 22 de dezembro de 2005 estabelece a necessidade de processos seletivos para a implantação de profissionais intérpretes de Libras/português com o intuito de viabilizar o acesso à comunicação e a formação das pessoas Surdas.
Neste sentido, o lançamento do primeiro edital para contratação de Intérpretes de Libras publicado no Diário Oficial da União representou uma grande vitória para a professora Myrna, que tem experimentado, em seu dia-a-dia, toda a dificuldade imposta pela barreira da comunicação no ambiente acadêmico. A iniciativa da UFRJ, que contou com a deterrninação das professoras Myrna Salerno, Deize Vieira dos Santos e Maria Cecília Mollica, trouxe uma nova perspectiva para a inclusão efetiva do surdo na Universidade. O concurso para Intérprete de Libras foi realizado pelo Departamento de Lingüística e Filologia da Faculdade de Letras e ocorreu nos dias 20 e 21 de março deste ano, publicado no Diário Oficial do Edital nº 8, de 23 de fevereiro de 2006. Foram oferecidas quatro vagas para professor substituto/Libras devido à inexistência de um cargo técnico específico para a função de Intérprete de Libras. A Banca Examinadora foi composta pelas professoras doutoras Deize Vieira dos Santos e Maria Cecília Mollica, e pela professora Especialista Myrna Salerno Monteiro do Departamento de Lingüística e Filologia da UFRJ. A Banca, contou ainda com a assessoria da intérprete Noelia Costa da Silva, na condição de Intérprete de Libras da professora Myrna.
O formato do concurso compreendeu três momentos. No primeiro foi feita a análise do Curriculo Vitae. No segundo momento houve uma prova escrita que exigia dos candidatos conhecimentos sobre Cultura Surda, perfil do profissional do Intérprete e a educação do surdo, além de questões sobre a estrutura lingüística da Libras e contrastes entre a Libras e o português. No terceiro momento, os candidatos submeteram-se a uma prova prática subdividida em três etapas, que avaliavam a competência lingüística dos mesmos.
Ao final dos três momentos, a Banca Examinadora avaliou as notas obtidas, pelos candidatos, e foram considerados aptos para assumir a função, em ordem do primeiro para o último colocado, os candidatos: Marília Moraes Manhães, Mariana Gonçalves Ferreira de Castro, Rosângela Ramos de Barros e Margareth Maria Lessa Gonçalves.
Essa conquista, além de beneficiar os funcionários, alunos e professores surdos da Instituição, permite a chance de criar novas possibilidades de aperfeiçoamento profissional para os Intérpretes de Libras. Paralelamente a isto, a equipe de pesquisa em Linguagem e Surdez da UFRJ já estuda a possibilidade da criação de cursos de extensão para a formação de Intérpretes de Libras e até mesmo um Curso de Licenciatura Libras/Português.
Equipe de Pesquisa em Linguagem e Surdez da UFRJ:
Myrna Salerno Monteiro
Deize Vieira dos Santos
Marilia Moraes Manhães
Mariana Gonçalves Ferreira de Castro
Rosângela Ramos de Barros
Margareth Maria Lessa Gonçalves
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